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MORGANA MORAIS DIZ QUE FESTIVAL DE MÚSICA VALORIZA CENA AUTORAL DA PARAÍBA

Morgana Morais e seu contrabaixo já tem uma trajetória artística de peso no cenário musical de João Pessoa. Integrante da banda Mafiota, ela vê com bastante entusiasmo a realização do Festival de Música da Paraíba.

“Tenho certeza de que foi uma excelente iniciativa do Estado, da Funesc, da Rádio Tabajara e de todos que estão envolvidos. Meu coração bate forte em saber que a música autoral paraibana está sendo valorizada”, declarou ela.

Morgana passou pela "Donna’s", "GP de Bobeira" e "Datura Reggae". Tocou com Totonho e com Dandara Alves e já participou de festivais fora do Estado (FestValda, no Rio de Janeiro e FunMusic, na Bahia). Ela cursa o último período do Sequêncial de Música da UFPB. 

Morgana acredita que o artista que ganhar o festival terá um up na carreira. “Que tenhamos muitos e muitos festivais em nossa terra e que o público venha junto. Nosso estado é rico em cultura. Valorizemos!”. Abaixo, segue a entrevista:

- Morgana, o que te fez adentrar no universo musical?

Antes de entender o que era música, eu já sentia, comecei vendo o pessoal da igreja tocar e fui tocando devagarinho de maneira autodidata, comecei com teclado, violão, guitarra e por último contrabaixo elétrico, esse que, me pegou de jeito e não largo mais.

 

- Você enquanto mulher já sofreu algum tipo de preconceito dentro do mundo da música?

Preconceito não, mas algumas piadas como: 'Toca feito homem", mas sempre repreendi e indagava: música tem gênero agora?

Ironizava, acredito que quando você corta o mal pela raiz esses preconceitos acabam, comigo não tem essa de homem ou mulher o instrumento quem faz é você!

 

- Quais são as suas maiores referências musicais?

Cara, minhas maiores referências dependem da fase que vivo, mas independente da fase, me vejo e tenho enormes referências na Nik West, o jeito, a Irreverência e carisma de tocar (que mulher!). Hoje vivo uma fase de ouvir bastante Betty Davis, James Brown, Le Gusta... Sons groovados, mas sem esquecer minhas raízes regueiras como Bob Marley, Ponto de Equilíbrio, Groundation, entre outros que se eu fosse citar, iríamos passar das linhas aqui rs.

- Como foi participar e mostrar a sua musicalidade fora do Estado?

Mostrar minha musicalidade é sempre importante, o reconhecimento vale mais do que qualquer cachê para mim, estar com aquela galera de vários estados no Rio de Janeiro (Webfestvalda) foi de tamanha importância, troca de conhecimentos, quero mais! Amo estar em festivais, apesar dos pesares (que é difícil) para nós do Estado. Penso em uma coisa que o vocal da Mafiota fala, ou você é idolatrado ou você é levado na maneira pejorativa, ou seja, não te levam a sério, então temos que mostrar o quanto somos fodas, por que de uma coisa eu tenho certeza, onde o sol nasce primeiro tem artistas de excelentes qualidades e potencialidades.

- Como você enxerga a iniciativa do Festival de Música da Paraíba e o que você acha que ele vai proporcionar para a cultura dos artistas da terra?

Tenho certeza que foi uma excelente iniciativa do Estado, da Funesc, da Rádio Tabajara, de todos que estão envolvidos. Meu coração bate forte em saber que a música autoral Paraibana está sendo valorizada, precisamos disso, é uma batalha atrás da outra. O artista que ganhar o festival irá sem sombra de dúvidas investir na sua carreira, que tenhamos muitos e muitos festivais em nossa terra e que o público venha juntos. Nosso estado é rico em cultura. Valorizemos!

 

- As mulheres estão cada vez mais conquistando novos espaços nos dias de hoje. Você também visualiza essa onda feminina no mundo musical em que vive?

Nós, mulheres, sempre estivemos aqui e fizemos, somos musas e criadoras, o machismo impregnado na sociedade por muitos anos não deixaram a gente ver. “Quero mostrar ao mundo, enquanto posso, nessa profissão de musicista, o erro cometido pelos homens ao pensar que só eles possuem os dons intelectuais e artísticos e que tais dons jamais serão dados às mulheres”, assim se expressou, numa dedicatória, a compositora do século XVI, Maddalena Casulana, primeira mulher a ter suas obras publicadas na música ocidental, fazemos bonito de forma ímpar!

Mas falando de tempos atuais, as mulheres mostraram que tem força e qualidade, adentrando na Paraíba acredito que precisamos de mais e mais representatividade e incentivar mais mulheres a tocar, cantar, dançar e saber que temos espaços.

Estou terminando o curso sequencial de música da UFPB e só sou eu do sexo feminino (na minha turma), outras tomaram rumos diferentes. Acredito que temos muitas mulheres fodas aqui na Paraíba, eu sei que temos que mostrar e foi o que eu quis fazer neste projeto “Tributo a Rita Lee", levei duas mulheres lindas e empoderadas junto comigo e fizemos muito bonito, ao ponto de o público pedir bis por que confiou no nosso potencial! Em 1 semana pegamos 14 músicas, foram 4 ensaios... foi uma loucura boa e vamos fazer mais.O som não pode parar, quero ver mais mulheres atuando, compondo, dançando, interpretando, por que a arte é nossa também! Estarei lá sempre, representando com meus instrumentos: voz e contrabaixo!

Quero aprender com elas e eles, cada dia mais, acredito muito na evolução do ser humano, seja homem ou mulher, o que falta são apenas oportunidades, quem as cria somos nós mesmos buscando e dando as caras!

 

Erick Marques